Anoiteceu lá fora e eu estou no trabalho. A cabeça achou um tempo pra pensar e me deparei com uma vontade incrível e arrebatadora. Eu quero chorar. Quero chorar por você, pela sua partida. Pelo sentimento que ficou depois de tudo isso.
Mas o que ficou não me move, não me dói. O que ficou foi anestesia, inerte. Ficou somente a perda de noção do tempo, a vontade de dormir, o gosto azedo de morte, a minha ausência, dentro de mim.
No fim, ficou nada, nem você. Muito menos você.
Mas eu fiquei, fiquei parada.
Parei. Enquanto todo o resto – que não fosse a sua partida, a anestesia, a perda de noção do tempo, a vontade de dormir, o gosto azedo de morte, a minha ausência dentro de mim e você – continuava.

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