Tenho uma lista de coisas pra mandar pro conserto. As coisas por aqui quebram muito rápido, estragam, se desfazem no chão, talvez eu não seja cuidadosa, ou só não tenha sorte mesmo. Eu tenho muitas coisas pra mandar para outra pessoa arrumar, porque delas não entendo nada. Me sinto um pouco quebrada também e fico pensando na possibilidade de haver alguém que possa me consertar, faço graça comigo mesma e me imagino marcando hora com o sujeito, “tenho um coração arranhado e amassado, será que dá pra formatar ou algo assim?”, depois me lembro que alguns consertos custam caro e então me pergunto se a minha manutenção seria complicada ou se o custo-benefício pra ter um coração novo em folha valeria a pena. Minhas coisas tem conserto, posso comprar outra para pôr no lugar, deixando de lado o possível apego emocional que tinha com o objeto, mas meu coração? Não senhor, sou muitíssimo apegada a ele, desse jeito torto que ele é, do modo que os outros o deixaram. E mesmo que tenha conserto, tenho certeza que não vou cruzar por um anúncio em um poste que avise aos corações quebrados dessa cidade uma cura. “Conserto Gaita”, mas a minha gaita não tem conserto moço, já me acostumei com o som que dela sai assim meio estranho, marcado pelos outros, alguns tons acima do normal, sem esperança de que um dia volte a afinação original.
Eu demorei, mas olha, já estou até aprendendo a fazer um som bonito e sei que tem gente que gosta de ficar pertinho pra escutar. De todas as coisas que eu tenho por aqui que andam estragadas, meu coração eu nunca mandaria pra arrumar.

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