Silêncio monstro.

Havia acabado a vodka, e ele havia voltado pro seu buraco escuro de onde nunca deveria ter saído. Restaram apenas seus vestígios, dentro e fora de mim e sua ausência consumira toda vontade que me restara de descansar. Eu me rebatia pela casa, esperando que ele saísse de mim e parasse de me sugar. Ele se debatia dentro me mim, também se recusando a me largar, como se tivesse se agarrado a mim, me torturava, e me mastigava com seus dentes compridos e um enorme sorriso. Sua voz impedia-me de pensar, fazendo-me gritar por seu silêncio. Seus braços me agarravam e me balançavam bruscamente, fazendo cada músculo do meu corpo se contrair de dor. Lutamos noite adentro, a dentadas e unhadas, mas nenhum se rendia à derrota, ambos tinham urgência em ser um só, sem interferência nenhuma do outro. Cansados e esgotados sucumbimos à trégua. Nós dois decidimos que ele voltaria quando quisesse, com um aviso prévio ele viria e transformaria tudo, como sempre.
E que eu, cederia espaços semanais, mas teria controle total sobre ele.
Afinal, não é sempre que o silêncio é calmo e manso dentro de mim.

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