– Era tão frio assim?
– Era, me passa o cinzeiro?
– Ah, passo. Não lembro como nós chegamos em casa aquele dia.
– Nem eu.
– Eu tinha bebido muito?
– Acho que sim, eu já cheguei lá tonta.
– É. Mas isso foi antes ou depois março?
– Não importa.
– Tá…

– Vodka?
– Não, brigado. O que a gente ta esperando?
– Sei lá, eu só to aqui por causa do cigarro.
– Eu sei. Posso te fazer uma pergunta?
– Não sei, se é sobre o dinheiro pras contas do final do mês eu gastei.
– Não, não é não. Gastou?
– Gastei. ta, pergunta então.
– Tu me ama?

E os dois silenciam.

– Não sei. porque?
– Também não sei.
– Ah…

Ele espera até ter certeza de que ela não tem mais nada pra dizer.

– Se eu disser que te amo, tu também diz?
– Digo. Mas porque?
– Acho que é medo. Eu te amo.
– Também te amo. Medo?
– É, medo.
– Medo de que?
– Não sei, só, medo.

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