Arquivo do mês: fevereiro 2012

Olha, eu sei que você está triste, que não queria ir embora mas você não entende, e nunca entenderia como é ruim te ter aqui pela metade, te ter de mentirinha, sem ser você, sem ouvir tua voz. Não pense que está sendo fácil para mim, te mandar pra tão longe mesmo te querendo tão perto, só que você também dificulta não é? Você nunca tentou existir pra mim, sempre foi tão você, enquanto eu estava aqui sonhando com um “nós”. E é por isso que eu não vou mais continuar criando você dentro de mim, te alimentando com o que resta das minhas esperanças em alguém, não irei mais te colocar em pedestal algum, já esta na hora de tomar o que é meu de volta, o que você nunca chegou a aceitar. Espero que você já tenha percebido que essa é apenas uma tentativa de me convencer que já passou do seu tempo aqui dentro de mim, uma maneira de te dar adeus, já que você nunca terminaria algo que nem ao menos começou, quase uma carta suicída, destinada à mim mesma, à uma parte de mim, uma parte teimosa e estúpida que já se cansou de amar sozinha. Estou farta de me sentir idiota, estou farta de te procurar nos outros, de te enxergar na rua, você está tornando tudo muito difícil por aqui e é por isso que já está na hora de facilitar. Pois agora encontrei alguém pra cuidar do coração que você nem chegou a conhecer, alguém que merece tomar o teu lugar, alguém que vai estar lá quando eu olhar.

Como em muitas outras vezes, eu não sei por onde começar. Mas diferente dessas vezes em que sempre acabo achando um caminho, um apoio ou uma esperança, estou agora me sentindo sem chão. Não sei por onde continuar e nem imagino onde possa terminar. Drama queen do caramba, criança birrenta, impulsiva, carente, me sinto um pouco egoísta. Dessa vez não tem ninguém pra ficar aqui e fingir que me entende, as pessoas estão por aí com problemas maiores do que os meus, essas minhas besteiras e essa mania de cair em fossas casuais. Então fico aqui, afogada, me sentindo abandonada em meio à essa multidão estúpida, descarregando toda essa minha raiva com palavras pesadas, com gestos desesperados, com bobagens pra me distrair e não sei o que tirar de tudo isso, não tenho nenhuma lição dessa vez, não tenho nenhum objetivo pra puxar a corda e sair da fossa, tá faltando um caminho lindo e iluminado, tá faltando alguém pra segurar minha mão e me ouvir despejar esse bando de coisas presas à garganta, que não saem, que não somem, que me sufocam, tá faltando um pouco de luz nessa minha cabeça, na minha bagunça pessoal. To tentando sair desse campo minado, to tentando olhar pra frente e imaginar uma trilhazinha no meio do milharal, uma coisa calma, uma coisa leve, dessas coisas fáceis de viver, to colocando a cara a tapa, to pedindo pra ser feliz e não sei, não sei por onde começar, não agora, não aqui. Mas amanhã passa e eu saio dessa fossa e volto a ser feliz. E deixo de ser egoísta e as pessoas voltam a me escutar, mas só por hoje, só por agora, vou deixar esse caminho, essa vontade, toda essa esperança de lado e cair de cara no sentimento. Me deixa, me larga, ignora esse pedido de ajuda desesperado, que amanhã tô legal. Eu quero viver a fossa, só para que mais tarde, não dê vontade de voltar.

Sentei na beira da praia esperando que algo acontecesse. Nada, absolutamente nada aconteceu, as estrelas me encaravam, brilhando mais do que o normal, como se quisessem provar para mim que podiam, que brilhavam mais, simplesmente porque podiam e eu era pequena demais para duvidar delas. Senti então o mar me chamando, me convidando para aquela pequena festa, onde eu era a única convidada com coragem suficiente para mergulhar de cabeça. E sabendo que não poderia recusar, sem fraquejar me atirei, esperando então que algo acontecesse, novamente. Mas tirando as roupas encharcadas e o sentimento de imensidão do mar escuro e perigoso, nada, absolutamente nada aconteceu, fiquei parada, imersa, analisando minha loucura a cada onda que batia em mim. Me deixei então flutuar, fechei os olhos e me permiti um pouco de paz. Me lavei, me lavei de você e de todos os outros, e só estou te contando isso, porque era você o único que sabia que tenho muito medo de mar, medo de escuro, medo de estar sozinha, medo de me afogar em qualquer sentimento, medo de que nada nunca mais aconteça para mim e que as coisas sigam nessa inércia assustadora. Você era o único que conheceu essa besteira toda e só estou te contando pra poder esfregar na tua cara essa minha loucura, enquanto você está aí, na mesma vida de sempre, sem se atirar ao mar aberto, sem risco nenhum de se afogar e não deixando que nada, absolutamente te nada aconteça, enquanto eu estou aqui aprendendo a nadar.

Desabafo preso por muito tempo à garganta, o texto saiu assim, como se tivesse sido escrito há três anos. Talvez ninguém perceba, mas eu sinto outra pessoa aí dentro.

19/10/2009

Suzana.

A taça vazia em cima da mesa grita a tua ausência, as gavetas vazias, as caixas cheias de coisas tuas na garagem, tudo indica que tu simplesmente não está, até as tuas contas pararam de chegar pelo correio. Há muitas provas concretas de que tu foste embora.
E ainda assim não acredito. Ainda posso ouvir tua voz, tuas risadas, ainda consigo te escutar reclamando de mim, mas não te acho em lugar algum. Tudo que é teu está guardado. Todas as tuas lembranças eu guardei, guardei também as mágoas. Principalmente as mágoas, afinal, com toda essa saudade habitando meu peito, não sobrou lugar para dores antigas.
Essa coisa de viver sem você é loucura, é como correr sem uma perna, falar sem boca, ler sem os olhos, viver sem você tem sido uma guerra particular, tenho vivido sem o exemplo, sem o carinho e sem o principal pilar da minha vida.
Mãe, viver sem o teu auxilio me deixa perdida, sem rumo, confusa e exige de mim coisas que eu não sabia que era capaz.
Eu tenho sido forte em encarar a tua ausência em todos os cantos, tenho tentado fechar os olhos pra tudo que me lembra a saudade que cresce dentro de mim constantemente, e mesmo assim, com toda força que eu sou capaz de resgatar de mim mesma, tudo continua sendo muito difícil. E eu não desejo a mais ninguém tudo o que eu estou sentindo agora, a dor é tanta que até parece que extrapolou o limite e agora uma coisa fria reside onde era para estar uma coisa pulsante e cheia de vida. Uma parte minha pulou junto contigo e eu tenho certeza que não volta mais.
Agora o que se pode fazer é seguir e frente, é conviver com o vazio e com a tua falta.

Texto antigo, sentimento intacto.

Escrito em 2010.

Sabe, não dá mais, você não dá mais, eu também não dou e isso tudo porque as coisas foram nos conduzindo lentamente pra esse estado contínuo do não. Você me diz não e eu aceito, eu escuto e choro, choro, choro, choro porque não escrevo, porque ‘não dá’, porque você diz não pra mim e pra minha escrita também, diz que é coisa de gente triste e amarga, que os outros vão pensar que você não me faz feliz, que vão rir de mim por ser triste e dizer a verdade. Mas eu penso que assim não dá, e só penso, porque pra ti só digo sim, digo sim e choro, choro, choro por sempre estar aceitando, por você estar sempre me pisando e aceito, aceito e fico quieta, não escrevo, não converso, não opino e não faço comentário, isso tudo porque você diz não, sempre diz que não, e que eu irrito, que a minha voz é ridícula e a minha opinião também. Eu choro por você estar diminuindo alguém que te ama tanto, por você estar podando algo grande demais pra caber dentro de você, você esta me dizendo não, dizendo que eu não valho a pena e que é melhor ficar do teu ladinho enquanto você me suga e tenta ficar maior que eu ai no seu mundinho fechado, mas tem uma hora que eu canso boy, e volto a escrever e volto a ser triste e muito maior que você, enquanto você continua com o seu cursinho e empreguinho e vai me perdendo por ser muito pequeno pra mim que te amei tanto e só escutei não.

Tenho muitos textos que escrevo e acabo tendo que guardar por um tempo, às vezes por me sentir censurada pelo sentimento alheio e outras por não ser o momento correto de postar, hoje senti relendo esse texto, que já era momento de publica-lo.

Mas você sabe, meu bem, meu querido, meu amor, não se faça de sonso, não finja que não é com você. To aqui querendo te contar uma coisa linda e cheia de uma verdade intensa e você está aí olhando pro relógio a cada 5 minutos porque não aguenta mais a minha voz.
Mas espera um pouco, preciso dizer aquelas coisas que nunca consegui te contar, talvez porque você sempre cortava minhas conversas quando percebia que eu tava falando de sentimento, ou porque você não me deixava choramingar coisas banais no teu ouvido, com medo que eu fosse aproveitar a brecha e te roubar, mas peraí que isso aqui eu realmente preciso te contar. Não vou construir um amor imenso por você só porque sinto que to precisando escrever. Eu estou desistindo desse sentimento que esperam de mim a cada relacionamento. Esta vendo? Todo aquele seu medo pelo meu amor era desnecessário, não sinto mais vontade de amar só porque meus textos deixaram de ser fortes e cheios de paixão. Agora podemos muito bem nos relacionar. Então, meu querido, meu bem, meu amor, não vem cortando meu papo, não tenho a mínima intenção de me declarar. Nós podemos sair juntos na rua agora que eu não irei me importar se te pegar reparando na bunda daquela gostosa que acabou de passar, porque eu sei que ela não te daria metade do que eu poderia te dar. Olha só meu bem, meu querido, meu amor, achaste uma mulher segura e sincera, só cuida pra não te apaixonar.

Eu tento fugir. Mas você vem sempre, me agarra pelas pernas, ajoelha e me pede pra ficar. Quem dera, quem dera ter você assim na minha frente, implorando pra não desaparecer por aí. Mas não é você, claro que não…É só essa minha mania de me apaixonar pelo seu sorriso bobo e de falar com você quando você não vai nem responder, é essa minha mania de saber tudo de você enquanto você ainda não sabe nada de mim. Sou eu, completamente e inevitavelmente ligada a você de uma maneira unilateral e platônica, morrendo de vontade de te arrancar de uma vez da minha cabeça, sabendo que sou pouco e que você é demais, demais pra mim e pra qualquer outro ser humano rastejante na face da terra, você, um semi-deus, com o sorriso mais encantador que eu já vi. Que vai amar outras que não serão eu, que vai viver uma vida inteira sem ao menos me deixar participar. Eu caio enquanto penso em ti, sem a menor vontade e força pra levantar. Você se mantém preso dentro de mim e eu me mantenho fechada só pra não deixar você sair, porque eu sei que esse sentimento é o máximo que eu vou ter de ti.

Às vezes acho que tenho andando de muleta por aí. Acho que tenho caminhado por aí com uma perna a menos. As pessoas me encaram como se faltasse um pedaço meu, como se fosse digna de pena. Talvez eu esteja então me arrastando pelas ruas transparecendo a falta da tua atenção, quem sabe meu olhar encontre o horizonte, pensativo e meu sofrimento salte pra fora como se não coubesse mais no corpo. Cansei dessa falta de procura, cansei desse sentimento de ter sido esquecida, não nasci, entenda bem, não nasci para não me sentir amada por quem amo, me entreguei demais para não ser recebida e vou tomar de volta antes que isso deixe uma ferida daquelas que todos vão encarar com olhar piedoso.