Tive vontade de bater a porta e nunca mais colocar o pé naquela casa. Tive vontade de fechar o coração e engolir a chave. Algo em mim tinha explodido, algo em mim havia se engasgado. Mas fechei os olhos e aguentei mais um dos nãos que a vida insistia em me dar. Me tornara boa em algo afinal, obsitinada a aceitar o simples fato de que “porque não é resposta” sem bater o pé e contrariar, havia enfim descoberto um talento absurdo que se tornara essa paciência impenetrável que fui obrigada a ter. Esperançosa, aguardando um dia em que a vida seria generosa e me daria a coragem para então lacrar aquela porta e dizer adeus a todos esses nãos, fechei os olhos desistindo de toda e qualquer paciência que fora conquistada até agora. Que se fodam os nãos, nunca mais quero pensar em engolir chaves a não ser que o teor alcoólico seja alto.
19/01/2012 por Júlia Rosés