Arquivo do dia: 19/01/2012

Tive vontade de bater a porta e nunca mais colocar o pé naquela casa. Tive vontade de fechar o coração e engolir a chave. Algo em mim tinha explodido, algo em mim havia se engasgado. Mas fechei os olhos e aguentei mais um dos nãos que a vida insistia em me dar. Me tornara boa em algo afinal, obstinada a aceitar o simples fato de que “por que não é resposta” sem bater o pé e contrariar, havia enfim descoberto um talento absurdo que se tornara essa paciência impenetrável que fui obrigada a ter. Esperançosa, aguardando um dia em que a vida seria generosa e me daria a coragem para então lacrar aquela porta e dizer adeus a todos esses nãos, fechei os olhos desistindo de toda e qualquer paciência que fora conquistada até agora. Que se fodam os nãos, nunca mais quero pensar em engolir chaves a não ser que o teor alcoólico seja alto.

Queria escrever bem grande na testa que era feliz, que era muito feliz, que de agora em diante seria eternamente feliz, inclusive enquanto estivesse triste. Mas percebi então que um sorriso apenas bastava.