Arquivo do mês: dezembro 2011

Fechei a janela e deitei, tentei de todas as maneiras encontrar o abismo onde me perdi dentro de tudo isso. Você continua me perguntando o motivo de estar assim tão ausente, pergunta onde é que está afinal o meu olhar que encara o horizonte. E eu não sei, não sei e não quero mais responder nada, porque eu estou soando forçada e você está soando chato demais. Não quero pensar nos motivos que me fazem olhar pra longe. Deixa passar menino, me deixa ir onde meus olhos conseguem alcançar, não adianta cercar nada por aqui. Eu já sou grande demais pra amarrar uma corrente em mim só por ainda me desejar por perto.  Ando distante sim, mas não se preocupe. Eu tenho andado é distante de mim

Põe a mão garganta abaixo e tira isso na marra. Não engole, escuta bem, não engole por que tranca, e se tranca é pra nunca mais sair. Pode falar, em alto e bom tom, não se deixe levar. A gente sabe que essa tua dor não passou. Mas ei, fala assim baxinho, “pequena eu preciso de carinho” e eu prometo ficar aqui até anoitecer, benzinho, eu prometo cuidar de você.

Mais um ano, 250 palavras.

Não sei se você consegue ver o quanto cresci nesses últimos anos que se passaram e talvez eu até pense isso como uma maneira de aliviar a falta que a tua presença faz, atribuindo uma certa consciência a ti só pra mascarar esse buraco que tu deixou em mim, na casa, na vizinhança… Cresci tanto que não me reconheço, não conheço mais muitas coisas em mim e queria te mostrar como aprendi a deixar as coisas que eu carrego se apresentarem pra mim, como eu uso essas frases que aprendi contigo pra esconder esses detalhes que ainda não aprendi sobre as minhas mudanças, mas é assim não é? A gente se vira do avesso mas aprende a se entender. Aprende muita coisa quando a vida nos pressiona e pede força de nós e eu aprendi muito vivendo sem você, mas maior que o aprendizado que tu me deixou, foi a dor da tua partida, essa tua perda tão repentina e crua. Foi essa coisa de te segurar nos braços e no instante seguinte não te ter mais, te deixar cair. Te ver perder o brilho e sair devagarzinho da minha vida, quase que se rasgando pra fora de mim. Te esperar abrir a porta de casa no horário de sempre e me surpreender ao ver a noite cair e a casa permanecer em silêncio. Você pulou e levou um pedaço de mim e o resto que ficou convive com esse sentimento que quase silencia mas não deixa descansar dentro de mim.

Tirei tudo da bolsa e organizei, esperando que de alguma forma eu pudesse organizar algo aqui dentro. Eu dizia pra uma amiga que não conseguia mais escrever, ela me indicou essa banda e me disse: escuta que tu vai sentir vontade de escrever. Mas sempre sinto vondade de escrever e ainda assim não sinto nada organizado aqui dentro pra colocar algo bonito no papel, algo que faça sentido, que faça alguém pensar em como eu poderia estar falando por ela também, talvez porque tudo em mim agora não esteja nem um pouco bonitinho e organizadinho para alguém se identificar, mas é assim que estou e vou assumir essa minha forma meio feia e pesada porque talvez esse desabafo seja a única esperança que tenha pintado até agora. Estou confusa, sem fazer sentindo e talvez vá continuar assim por algum tempo.
Atearam gasolina em mim e minha garganta queima, meu cérebro ainda não assimilou toda dor, mas sinto como se alguém tivesse puxado minha alma pra fora, talvez por ela ser grande demais e não caber mais em mim.

Estou desistindo de histórias lindas, abrindo mão dessas relações forçadas, de ações que não são retribuídas com vontade, estou arrumando um espaço nessa besteira toda pra conhecer alguém real e sinto que dessa vez não estou pedindo nada demais.

Disquei os números com muita pressa, esperando por aquela voz atenciosa do outro lado da linha, aguardando um pouco de compreensão da pessoa que sempre ouve meu coração sofrido reclamando. E eu precisava tanto, tanto dizer que desacreditei de tudo ultimamente, inclusive e principalmente de mim. Me sinto cansada, esgotada, as coisas estão mais difíceis do que costumavam ser. Precisava dizer que me sinto descapacitada e que meu esforço não parece render resultados, mas ninguém atendeu. Chorei sozinha, chorei um oceano inteiro sozinha, sem ninguém pra dizer que tudo vai acabar ficando bem.