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Tive vontade de bater a porta e nunca mais colocar o pé naquela casa. Tive vontade de fechar o coração e engolir a chave. Algo em mim tinha explodido, algo em mim havia se engasgado. Mas fechei os olhos e aguentei mais um dos nãos que a vida insistia em me dar. Me tornara boa em algo afinal, obsitinada a aceitar o simples fato de que “porque não é resposta” sem bater o pé e contrariar, havia enfim descoberto um talento absurdo que se tornara essa paciência impenetrável que fui obrigada a ter. Esperançosa, aguardando um dia em que a vida seria generosa e me daria a coragem para então lacrar aquela porta e dizer adeus a todos esses nãos, fechei os olhos desistindo de toda e qualquer paciência que fora conquistada até agora. Que se fodam os nãos, nunca mais quero pensar em engolir chaves a não ser que o teor alcoólico seja alto.

Queria escrever bem grande na testa que era feliz, que era muito feliz, que de agora em diante seria eternamente feliz, inclusive enquanto estivesse triste. Mas percebi então que um sorriso apenas bastava.

Estou cansada. Estou tão cansada. Vem cá, senta aqui, preciso conversar. Existe algo sobre o qual não consigo falar e isso tem tornado escrever uma tarefa difícil. Existe algo trancado na garganta, algo que caminha pelos corredores dessa casa que não me deixa descançar. Existe algo que insiste em me transformar em alvo fácil. Vem cá, que preciso de um abraço, vem e me dá o que esse algo se recusa a dar. Completa esse buraco em mim, porque eu só quero uma companhia, só preciso de alguém pra me escutar. Hoje eu chorei pedindo ajuda mas nunca há por aqui um ombro que possa me apoiar.

Esse vai ser o meu ano! Não adianta, não é mais da boca pra fora ou promessa de ano novo, essas coisas que a gente diz pra se fazer acreditar. Há muito tempo deixei de me iludir com essas coisas pequenas, sou franca comigo mesma. Com tanta gente por aí querendo me enganar preciso ser minha amiga! Não importa quanto eu tente esconder, algo lá no fundo sempre sabe e dá um jeito de me dedar pra mim mesma. Eu ando tão consciente que me assusto com o jeito que as coisas estão, tão claras e simples. Vocês nem sabem da novidade! Eu quero ser feliz e nisso ninguém se mete.

2012

Feliz ano novo para aqueles que nos julgam. Um feliz ano novo para aqueles que não acreditam em nós e para aqueles que não nos entendem. Desejo que o próximo ano seja iluminado para todos aqueles que citei, talvez assim passem a nos ver de coração aberto, confiar e entender. Minha virada de ano novo foi linda e falo sério quando digo que limpei a alma! Tirei o peso das costas, não carrego mais nenhuma âncora. Não há nada que tenha acontecido nos últimos dois anos que eu não tenha chorado para fora hoje. Depois de muito soluçar no ombro de uma amiga meu corpo se sentiu leve e abri os braços agradeçendo a entrada de 2012 finalmente aparecendo, uma hora e meia atrasada. Levantei a cabeça e saí desejando novamente um feliz ano novo para as pessoas que eu amava e que dividiam esse dia especial comigo, dessa vez fala sério, pois antes ainda me sentia presa há 2011, esse ano que foi lindo mas mesmo assim me permiti carregar todo esse peso por 12 meses. Nos últimos minutos do segundo tempo senti 2012 invadindo a casa e a alma e não posso deixar de desejar um feliz ano novo para aqueles que desde o começo, meio e fim, me aceitaram, confiaram e me entenderam sem precisar implorar por nada! Mais uma vez, amo vocês e quero vocês felizes, mas vocês precisam querer também!

Fechei a janela e deitei, tentei de todas as maneiras encontrar o abismo onde me perdi dentro de tudo isso. Você continua me perguntando o motivo de estar assim tão ausente, pergunta onde é que está afinal o meu olhar que encara o horizonte. E eu não sei, não sei e não quero mais responder nada, porque eu estou soando forçada e você está soando chato demais. Não quero pensar nos motivos que me fazem olhar pra longe. Deixa passar menino, me deixa ir onde meus olhos conseguem alcançar, não adianta cercar nada por aqui. Eu já sou grande demais pra amarrar uma corrente em mim só por ainda me desejar por perto. Eu ando distante sim, mas não se preocupe. Eu tenho andado é distante de mim

Põe a mão garganta abaixo e tira isso na marra. Não engole, escuta bem, não engole por que tranca, e se tranca é pra nunca mais sair. Pode falar, em alto e bom tom, não se deixe levar. A gente sabe que essa tua dor não passou. Mas ei, fala assim baxinho, “pequena eu preciso de carinho” e eu prometo ficar aqui até anoitecer, benzinho, eu prometo cuidar de você.

Não sei se você consegue ver o quanto e cresci nesses últimos anos que se passaram e talvez até pense isso como uma maneira de aliviar a falta que a tua presença faz, atribuindo uma certa consciência a ti só pra mascarar esse buraco que tu deixou em mim, na casa, na vizinhança… Cresci tanto que não me reconheço, não conheço mais muitas coisas em mim e queria te mostrar como aprendi a deixar as coisas que eu carrego se apresentarem pra mim, como eu uso essas frases que aprendi contigo pra esconder esses detalhes que ainda não aprendi sobre as minhas mudanças, mas é assim não é? A gente se vira do avesso mas aprende a se entender. Aprende muita coisa quando a vida nos pressiona e pede força de nós e eu aprendi muito vivendo sem você, mas maior que o aprendizado que tu me deixou, foi a dor da tua partida, essa tua perda tão repentina e crua. Foi essa coisa de te segurar nos braços e no instante seguinte não te ter mais, te deixar cair. Te ver perder o brilho e sair devagarzinho da minha vida, quase que se rasgando pra fora de mim. Te esperar abrir a porta de casa no horário de sempre e me surpreender ao ver a noite cair e a casa permanecer em silêncio. Você pulou e levou um pedaço de mim e o resto que ficou convive com esse sentimento que quase silencia mas não deixa descansar dentro de mim.

Tirei tudo da bolsa e organizei, esperando que de alguma forma eu pudesse organizar algo aqui dentro. Eu dizia pra uma amiga que não conseguia mais escrever, ela me indicou essa banda e me disse: escuta que tu vai sentir vontade de escrever. Mas sempre sinto vondade de escrever e ainda assim não sinto nada organizado aqui dentro pra colocar algo bonito no papel, algo que faça sentido, que faça alguém pensar em como eu poderia estar falando por ela também, talvez porque tudo em mim agora não esteja nem um pouco bonitinho e organizadinho para alguém se identificar, mas é assim que estou e vou assumir essa minha forma meio feia e pesada porque talvez esse desabafo seja a única esperança que tenha pintado até agora. Estou confusa, sem fazer sentindo e talvez vá continuar assim por algum tempo.
Atearam gasolina em mim e minha garganta queima, meu cérebro ainda não assimilou toda dor, mas sinto como se alguém tivesse puxado minha alma pra fora, talvez por ela ser grande demais e não caber mais em mim.

Estou desistindo de histórias lindas, abrindo mão dessas relações forçadas, de ações que não são retribuídas com vontade, estou arrumando um espaço nessa besteira toda pra conhecer alguém real e sinto que dessa vez não estou pedindo nada demais.

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