Ana não sabia mais como continuar, talvez devesse tomar alguma atitude drástica. Não, Ana já havia desistido de Ana.
Mas há dias em que Ana sente que algo em algum lugar dentro de Ana precisa que ela volte para si mesma, que um pedaço de Ana teme por se perder para sempre. Quando eu pergunto por Ana, ela foge de mim, com medo de que eu a faça se arrepender, pois ela sabe que se arrepende, muito mais por mim, pois Ana me cortou tão fundo na alma que eu me esvaziei por completo, sem Ana, sem nenhuma parte de Ana e sem esperanças de que Ana me quisesse de novo.
Pois Ana não conseguia nem mesmo amar a si mesma, Ana não queria que alguém a amasse também, e eu a amava, Ana era minha carne, Ana era o sangue que jorrava de mim quando Ana me cortava e se afastava repentinamente, quando Ana fugia de mim e do meu amor, mas Ana voltava, sempre voltava, pois Ana precisava que eu sentisse dor por ela, ela queria a minha dor, e eu lhe dava tudo de mim. Eu amava mais a Ana do que a mim, eu amava Ana e Ana não queria esse amor.
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todos os relógios estão parados, não sei se é ontem, se hoje ou amanhã, se é sempre, e nunca mais, estou solta aqui, completamente só, não há relógios, não há relógios e o tempo avança liberto, sem fronteiras nem limitações, uma bola de arame farpado, o sentimento vai se adensando em mim, transborda dos olhos, das mãos, sai pela boca em forma de fumaça, sinto meus lábios ressequidos, machucados, o gosto amargo, a bola cresce estendendo tentáculos, no meio dela eu me encolho cada vez mais, presa num círculo que cresce até explodir na vontade contida de gritar bem alto, bem fundo, rouca, exausta, correndo, esmagando as folhas de um outro outono, de um outro tempo, ainda este, o tempo, o outono, a tarde, o mundo, a esfera, a espera em que estou pra sempre presa.
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Tudo isso dói. Mas eu sei que passa, que se está sendo assim é porque deve ser assim, e virá outro ciclo, depois. Para me dar força, escrevi no espelho do meu quarto:’ Tá certo que o sonho acabou, mas também não precisa virar pesadelo, não é? ‘ É o que estou tentando vivenciar. Certo, muitas ilusões dançaram – mas eu me recuso a descrer absolutamente de tudo, eu faço força para manter algumas esperanças acesas, como velas. Também não quero dramatizar e fazer dos problemas reais monstros insolúveis,becos-sem-saída. Nada é muito terrível. Só viver,não é? A barra mesmo é ter que estar vivo e ter que desdobrar, batalhar um jeito qualquer de ficar numa boa. O meu tem sido olhar pra dentro, devagar, ter muito cuidado com cada palavra, com cada movimento, com cada coisa que me ligue ao de fora. Até que os dois ritmos naturalmente se encaixem outra vez e passem a fluir. Porque não estou fluindo.
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O que me conforma, ou ao menos eu acho que conforma, é que dessa vez parece ser verdadeiro, sem mágoas e sem nada que possa atrapalhar de alguma forma. E não importa que mil raios partam, dessa vez eu faço o meu melhor. Vou querer ser melhor, e é claro, feliz.
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Hoje eu vou agradecer por não conseguir escrever, por não ter dores pra contar.
Por sentir apenas essa dor de cabeça que já faz parte do cotidiano.
Hoje, não vou reclamar nem me lamuriar, hoje eu vou simplesmente agradecer, a Deus ou ao Diabo, não importa quem seja o ser iluminado que mereça essa fé, não importa que seja o Gandhi ou o Rambo.
Hoje eu preciso dizer que eu sou feliz. Que eu amo e meu Deus! Como eu amo!
Que hoje mais do que nunca eu percebo o quanto eu sou uma pessoa feliz e o quanto a vida foi boa comigo.
Hoje eu vou fazer dessa saudade toda que eu sinto um sentimento bom, algo que diga como é bom lembrar de você.
Porque eu não quero mais viver como alguém que não sabe se perdoar.
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Apesar da saudade, apesar da dor, apesar da insegurança, apesar e todos os apesares eu acordo diariamente com mente aberta e coração alegre, leve e apaixonada. Acordo com a luz passando pelas persianas, com a brisa enchendo o quarto de vida, e com vontade de ser feliz, de ser tomada novamente pela felicidade, porque apesar de Suzana não estar aqui, apesar de não ter mais esperança de ver Suzana, apesar de estar perdida sem Suzana, eu permito que todos os dias um amor inconsequente tome conta de mim, e cuide das feridas que Suzana deixou com a sua partida, eu me abro e esse amor invade meu peito que agora também já foi tomado pela luz, pela brisa da manhã e pelo sentimento de felicidade.
Apesar de tudo eu ainda me sinto viva e estou amando.
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A taça vazia em cima da mesa grita a tua ausência, as gavetas vazias, as caixas cheias de coisas tuas na garagem, tudo indica que tu simplesmente não está, até as tuas contas pararam de chegar pelo correio. Há muitas provas concretas de que tu foste embora.
E ainda assim não acredito. Ainda posso ouvir tua voz, tuas risadas, ainda consigo te escutar reclamando de mim, mas não te acho em lugar algum. Tudo que é teu está guardado. Todas as tuas lembranças eu guardei, guardei também as magoas. Principalmente as magoas, afinal, com toda essa saudade habitando meu peito, não sobrou lugar para antigas dores.
Essa coisa de viver sem você é loucura, é como correr sem uma perna, falar sem boca, ler sem os olhos, viver sem você tem sido uma guerra particular, tenho vivido sem o exemplo, sem o carinho, sem o principal pilar da minha vida.
Mãe, viver sem o teu auxilio me deixa perdida, sem rumo, confusa e exige de mim coisas que eu não sabia que era capaz.
Eu tenho sido forte em encarar a tua ausência em todos os cantos, tenho tentando fechar os olhos pra tudo que me lembra a saudade que cresce dentro de mim constantemente, e mesmo assim, com toda força que eu sou capaz de resgatar de mim mesma, tudo continua sendo muito difícil. E eu não desejo a mais ninguém tudo o que eu estou sentindo agora, a dor é tanta que até parece que extrapolou o limite, e agora uma coisa fria reside onde era para estar uma coisa pulsante e cheia de vida. Uma parte minha pulou junto contigo, e eu tenho certeza que não volta mais.
Agora o que se pode fazer é seguir e frente, é conviver com o vazio, e com a tua falta.
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Uma coisa pesada, que parece queimar juro que não estou usando estas palavras somente porque parecem agressivas ou fortes, é o que eu sinto, juro que sinto.
É algo preso entre a garganta e o peito, algo denso, quente e frio ao mesmo tempo, que provoca lágrimas e gritos, que trás à tona um carinho, um tipo de compaixão por aquela estranha, que provoca em mim tanta raiva e tanto desgosto.
E é por isso que dói, o carinho bate de cara com a raiva e se transforma em algo que não consigo entender, logo, a minha lógica mostra as garras e se lança e um combate mortal contra o sentimento.
E eu aqui, sozinha e presa a mim mesma, lutando para me livrar desse corpo que arde e rasga, cedo, sem energia, e me deixo ser tomada pelo desespero.
Então ele vem, e me aquieta me acalma, e me diz: Ta tudo bem, ta tudo bem.
Ele chega e afasta de mim essa compaixão por aquela estranha, e rasga de dentro de mim toda dor. Ele me beija, e me torna novamente completa, sem afeições por seu passado, e sem conexão nenhuma com a estranha que agora não está mais presa a mim, de modo algum.
Ele me faz esquecer toda dor, ele me faz sentir um carinho novo e diferente, que não machuca e que não vai me condenar a raiva nenhuma, ele tem todo o poder de me fazer feliz, e me faz, inteiramente e completamente feliz.
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Nada se compara ao que eu senti aquela noite, nada pode aplacar os sentimentos que tudo aquilo deixou dentro de mim, e nada nem ninguém apagara da minha memória cada segundo que pareceu se arrastar e cada momento que parecia não poder se tornar pior do que já estava. Pois naquela noite as piores imagens que alguém pode imaginar ficaram grudadas na minha memória e até hoje teimam em dilacerar meu coração, enchendo com o seu veneno as lembranças boas que ainda restavam. Não sei se sou capaz de esquecer aquele corpo frágil lá no chão, não sei se um dia alguma coisa fará essa dor ir embora, mas eu sei que ninguém poderá trazer seu corpo de volta à vida.
Nos dias seguintes eles insistiam que eu fosse forte, e queriam que eu acreditasse que tudo ficaria bem.
Repetindo sempre: Seja forte, acredite.
E eu, às cegas tentava entender, digerir tudo que acontecia a minha volta. Sem suzana e com muito medo.
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E tenho dito, meu amor, a dor não passa, se renova.
Você não vai acordar em uma manhã de quinta-feira com o coração livre das dores, porque não é assim. Dor rasga tão fundo dentro da gente, que é capaz de durar pra sempre. Uma vez, por puro desespero, no auge da dor ouvi pessoas negando o amor pelo resto da vida, como se a origem de toda dor fosse, realmente o amor, e o pior de tudo? Elas acreditavam nisso.
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O único problema é que nenhum de nós percebera quando que nos deixamos cair nesse poço escuro chamado amor, nós não sabemos se um dia sairemos ilesos ou talvez mutilados desse poço, e por isso nós temos medo, medo de talvez não ter coragem pra ficar ou sei lá. Quem sabe, toda essa paixão e esse calor ajudem em nos manter aqui embaixo, juntos e agarrados.
Eu, ao menos, sempre soube o quão fundo seria esse poço, e mergulhei de cabeça, sem pensar duas vezes, afinal, lá embaixo tinha uma luz, uma daquelas que ilumina tanto que chega a cegar quem olha muito.
O poço me deixou cega, sem medo nenhum de me entregar, e valeu tanto a pena, me fez tão bem, pois a cada centímetro que eu caia e a velocidade aumentava, o vento da queda me fazia querer mais e mais, sem nunca chegar ao chão.
Confesso que ainda estou em queda constante, desejando de uma vez que a velocidade aumente e que eu possa me sentir mais livre a cada instante. Nos dois estamos caindo nesse poço, desajeitados, e mais felizes do que nunca.
A nossa queda faz crescer uma amizade doce e pura, e um amor que faz perder a noção do perigo, e por mais perigoso que tudo isso se torne pra nós dois, sempre vai valer a pena dar o primeiro passo diante do buraco e se entregar à queda.
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Português.
Produção textual um.
Terceiro trimestre.
Olha Beto no que tu me transformaste: uma velha com esperanças. Que cena ridícula! Se tu me visses agora aposto que estaria rindo de mim. Desde que tu foste eu me tornei lerda, sem utilidade a ninguém e confesso que meu cheiro não é dos mais agradáveis.
Nossa neta me visita de vez enquando, e faz toda questão de mostrar sua agilidade e a pouca paciência que tem em relação a mim. Estou velha Beto, mas tragicamente eu tenho esperanças.
Eu sigo esperando. O Diabo a quatro, a Xuxa ou o Rambo, tudo isso menos Deus, Deus não, por favor, não me venha com o seu deusinho Beto, você e essa sua fé em seu todo poderoso. Sou uma velha com esperanças e não com fé, não confunda a grande obra do mestre Picasso com o grande picasso do mestre obras.
Eu esperei uma vida toda, passei a vida esperando as coisas que eu queria sem fazer esforço nenhum, eu me sentava e esperava, como toda boa moça mimada. Aliás, tu foste um que me mimou, seu pau mandado, sempre fazia tudo por mim.
Cresci esperando, vivi esperando e vou morrer esperando, nunca corri atrás de nada e nem ninguém.
Agora os meus ossos estão fracos e a minha pele esta quase se deteriorando. Minha cabeça está cheia. E o meu tempo está completamente ocioso. Um aperitivo para que as minhas pequenas bestas entreguem-se a lutar. Ou só fazer meu crânio pegar fogo mesmo.
É tão engraçado ver que os dias estão passando em suas mãos, como areia. E você não pode voltar atrás. Pareço não me importar em deixar que esses grãos acumulem-se até me cobrir. Pois deve ser muito legal estar soterrada.
Pelo menos, terei com o que me preocupar. Nesse caso o tempo teria valor. Porque hoje, o tempo é como uma tortura.
Que o seu santinho amaldiçoe aquele que disse que quem espera sempre alcança, eu esperei, e agora o máximo que eu tenho é uma poltrona e remédios. E é claro a expectativa de que tudo acabe, porque finalmente vou conseguir algo somente esperando.
Finalmente, após uma vida inteira, a morte se aproxima sem eu precisar fazer um mínimo esforço.
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Eu costumava me conhecer melhor. Eu era rápida, e sabia o que eu queria.
A tua voz não ficava circulando minhas memórias me lembrando sempre do que eu não preciso lembrar.
As coisas costumavam parecer mais fáceis, e o tempo não se arrastava como ele faz agora.
Nós costumávamos ser duas pessoas diferentes, e as nossas vidas não estavam tão entrelaçadas assim.
Minha mente era lúcida e clara, minha letras não falavam de amor.
Meus atos não interessavam a ninguém, e antigamente, eu só respondia perguntas em presença de algum advogado.
Eu não tinha horário, não tinha questões muito difíceis pra resolver, eu era prática, era fácil ser eu, era algo natural, sem esforço ou preocupações. Eu era uma contradição ambulante.
Mas eu trocaria isso de novo por mais mil vezes se fosse por você, eu fiz, e faria tudo novamente, simplesmente por você.
Por você eu me viro do avesso, perco meus interesses, mudo minhas letras e me torno complicada, burocrática e tudo mais, viro louca, e cheia de limites.
E agora, o que me diz de mais uma reviravolta?
Dessa vez eu posso tentar ser alguém melhor.
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Domingo, vinte e nove de agosto de mil novecentos e noventa e nove.
Não era uma manhã chuvosa e o céu definitivamente não estava cinza, tudo estava como devia estar, havia pessoas lá embaixo, pessoas que estavam vivendo e sorrindo apesar dos apesares, isso eu sabia, pois conseguia velos através da janela.
Eu não estava prestes a cometer suicídio, e eu não tinha uma vida medíocre, minha mulher não havia me abandonado levando meus filhos para longe de mim, alias, eu não tinha filhos e muito menos uma mulher.
Eu era o tipo de homem que não fazia planos e não queria um futuro desenhado, além de parecer normal eu era relativamente bonito.
Se eu me lembro bem eram dez horas da manhã quando eu tive a lúcida impressão de ouvir pessoas conversando dentro do meu apartamento, logo no começo ignorei totalmente, eu morava sozinho e era dono da única chave, tirando a reserva que ficava em cima do extintor de incêndio no final do corredor, logo depois considerei o fato de alguém ter encontrado a chave reserva, mas para quê alguém entraria em meu apartamento ás 10 horas da manhã para sentar em meu sofá e conversar?
Ou realmente havia pessoas lá dentro ou eu estava começando a ficar louco, e eu preferia a primeira opção.
Eu não podia ser louco, sempre fui muito lúcido e nunca tive problemas sérios demais que pudessem me enlouquecer. E por isso, naquela manhã eu simplesmente ignorei a vozes, as deixei conversando enquanto eu dormia, bem, ao menos tentava dormir.
As vozes não pareciam se preocupar em manter sigilo de sua presença, e eu escondendo de mim mesmo que havia algo errado me negava a ouvi-las.
Mais tarde quando acordei tudo parecia ter voltado ao normal, a casa estava mergulhada em um silêncio profundo, e eu não fazia questão de quebrá-lo, já que o barulho das vozes ainda estava trancado em minha lembrança.
A sala estava como sempre, sem nenhum sinal de visitantes recentes, não havia nada fora do lugar, e isso indicava que eu não havia recebido nenhuma visita hoje de manhã. Me joguei no sofá, com a cabeça pesada, tentando entender de onde as vozes tinham saído, eu não tinha vizinhos, na verdade tinha se considera-se a velha que morava no primeiro andar, e convenhamos, não acho que a velha estaria dando uma festa, ou recebendo alguém com tanta disposição pra falar mais de uma frase sem perder o fôlego às dez horas da manhã em pleno domingo. Mas como eu estava falando, passei o dia pensando nas vozes e já passava das quatro horas da tarde quando o telefone tocou.
Eu tirara o telefone do gancho, mas o silêncio era total, não havia vozes como eu esperava, na verdade, o silêncio estava explicando mais do que qualquer som que pudesse sair do telefone.
Sim, eu estava louco. E não, eu não aceitava essa loucura.
À noite me esforcei para não pensar em nada, me mantive sedado por remédios para dormir. Mas logo os sonhos trouxeram as vozes, e a vozes logo foram se tronando freqüentes, e eu as ignorava.
Depois de um tempo as vozes chamavam meu nome e sabiam que eu as escutava.
Elas me queriam, queriam que eu respondesse que eu prestasse atenção em suas suplicas, ela precisavam da minha loucura para sobreviver, estavam desesperadas por mim e eu lutava para me afastar delas.
Novamente após acordar as coisas estavam todas em seus lugares, mas dessa vez as vozes estavam lá, eu as ouvi, ouvi cada detalhe, cada sussurro, cada pedido de atenção, e eu cedi, ouvi e aceitei. As vozes pediam que eu as deixasse curar meus medos, que elas conheciam os meus desejos, os meus problemas e as duvidas que viviam dentro de mim. Elas diziam que faziam parte de mim, e pediam que eu as deixasse curar toda a minha lucidez, e eu não sabia se queria me curar, eu não sabia se podia mesmo aceitar uma loucura que eu nunca havia conhecido. Alias, loucura por loucura, sempre tive algo querendo sair de dentro de mim, algo que pulsava. Uma neblina densa, que por vezes me dizia o que tinha que fazer: baixar a cabeça e aceita-la.
Aceitar sempre foi algo constante e rotineiro em mim, eu aceitara essa neblina, eu a cultivara, e ela cresceu se rebelou, e hoje se libertou, resultando nessas vozes que tentavam controlar a minha maluques.
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